Acabo de ler no blog de uma amiga um texto intitulado "Passa, tudo passa!", onde ela diz que tudo passa até mesmo os sentimentos, os amores que tivemos. Engraçado é que antes disso estava conversando com outra amiga justamente sobre pessoas de quem continuamos a nos lembrar, com quem continuamos a sonhar mesmo quando já não há mais motivos para isso, quando estamos bem com outra pessoa, quando já não há espaço na nossa vida para certo sentimento. Mas será que isso tudo é suficiente para fazer o sentimento passar? Tenho a impressão de que (talvez infelizmente) não. Por mais que nos esforcemos, que relutemos em admitir, que nos recusemos a aceitar, de vez em quando lá estamos nós: sonhando com aquele rosto já meio apagado da lembrança, mas que ainda conserva os traços essenciais, ou ainda, sentimos um perfume, ouvimos uma música, sei lá mais o que... E aí nessas horas o sentimento já mais do que passado, volta. Umas vezes de maneira suave, outras parece um vulcão que explode no peito, só para lembrar que continua ali. Talvez o que passe seja o que nós éramos quando o tal sentimento aconteceu da primeira vez. A gente muda sim, a cada dia, cada instante... Mas acredito que sempre guardamos um pouco conosco desses sentimentos que foram fortes, que tiveram grande intensidade. Eles nos marcam de alguma forma, se juntam a outras coisas para nos fazer a cada dia. As relações acabam, os amores e paixões não duram para sempre, mas certa intensidade permanece em nós, nos compondo, nos fazendo... Sendo assim, tudo passa, algo sempre fica (paradoxal, né?). Num primeiro momento talvez isso pareça ruim, mas talvez não seja assim. Depois que a dor, a saudade, a incompreenção, e outros sentimentos se amenizam, o que fique talvez seja a lembrança de um olhar, que traz consigo um doce frescor.
"Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas. O melhor ainda não foi escrito. O melhor está nas entrelinhas". (Clarisse Lispector)
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Pequenos pensamentos...
Na verdade, esse post é apenas um pedaço de pensamento...
Estava pensando sobre o que escrevi no último post, sobre o tema do equilíbrio.
Que equilíbrio é esse que tanto procuramos? Que sentidos isso pode abrigar...
Fiquei pensando que de saída quando penso em equilíbrio a primeira imagem que me vem à cabeça é de uma balança que fica imóvel, com seus dois lados totalmente nivelados.
Mas hoje enquanto pensava a imagem que apareceu foi a de um equilibrista de circo, que anda na corda bamba.
Ele tem que se equilibrar para não cair, mas ele faz isso em movimento, com cautela sim, mas ele não para. Talvez seja justamente o fato dele andar que o ajude a ficar equilibrado, ainda que ele se balançe, que de vez em quando pareça prestes a cair.
Equilibrio não precisa ser imobilidade, o desassossego também é parte dele.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Comer Rezar Amar
Hoje fui assistir ao filme " Comer Rezar Amar". Saí do filme me perguntando se o que acontece é que a gente enxerga nas coisas tudo o que tem haver com o momento em que estamos vivendo ou se o filme realmente diz tudo o que ouvi ele dizer. No final das contas, acho que a resposta a essa pergunta não interessa muito, mas sim o que pude aproveitar do que falou comigo.
O filme começa com a protagonista conhecendo um xamã em Bali durante uma viagem. O xamã diz várias coisas para ela, fala de várias mudanças. E aí ela volta para casa e as coisas começam a aconter. Mas as coisas acontecem porque iam acontecer de qualquer jeito, ou porque ela começa fazer tudo pensando no que havia ouvido do xamã? Bem, essa é outra pergunta para a qual não cheguei a uma conclusão, e o importante seja por qual motivo for as coisas começam a acontecer. Mais do que isso, ela começa a fazer as coisas acontecerem. Não é fácil, ela sofre pra caramba, mas ela escolhe agir, mudar, encarar as transformações...
Em sua busca por Deus, por paz, por equilíbrio, ou seja lá o que fosse, Liz (a protagonista) traz a tona em vários momentos a questão da constante transformação da vida, desse nosso medo do caos. Desse nosso medo de que nossa vida seja um caos, o que nos impede de ver que a vida é caos, movimento, transformação. O equilíbrio como um objetivo a ser alcançado aparece na busca de Liz. Mas que equilíbrio é esse? Alcançar o equilíbrio é não mais se movimentar?
Tantas coisas chamaram minha atenção no filme, tantos detalhes que fica difícil falar... Talvez tenha ficado com mais perguntas do que respostas, mas acho que isso não é ruim não.
Liz viaja e nos leva junto em sua viagem. Primeiro em Roma, se apaixonando pela língua, pela comida, pela vida... Na Índia, num país que parece totalmente caótico à primeira vista, um lugar onde se busca a paz, rm que o convite é se abrir para Deus, para o mundo, para o outro, tornando possível se aproximar de si mesmo.. Em Bali, onde a história havia começado, porque o xamã disse que ela voltaria, ela volta. Aprende com o xamã, o ajuda, se reaproxima do amor, foge dele...
O que a gente faz quando acredita que conquistou o que queria, mas quer algo mais que pode não estar se encaixando exatamente onde deveria para que tudo fique equibrado?
Novamente volto às perguntas: o que queremos? o que temos feito para conseguirmos isso? o quanto estamos abertos às transformações? o quanto nos agarramos ( mesmo que infelizes) a algo só por medo de soltar e simplesmente não estarmos mais presos? o quanto estamos abertos para experimentar?
Enfim, só posso dizer que recomendo o filme. Dá pra rir, pra chorar, pra pensar, pra sonhar (as praias de Bali são incríveis!). Talvez alguem veja e nada disso ocorra a essa pessoa e aí ela pode se lembrar da minha dúvida inicial: é o momento que me fez ver tudo isso ou o filme diz isso pra todos? Bem, ainda que ele não diga a mesma coisa pra todos, tenho certeza que algo ele vai dizer. E eu ficaria feliz se fosse escolhida pra compartilhar com qualquer um o que foi que ele falou...
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Formatura
Então, a formatura...
Pode-se dizer que ainda não me formei de verdade, ainda não tive a colação de grau "pra valer", mas aquela toda bonita, em que a gente faz tudo lindinho, chora, ri, se diverte, se cansa... essa já rolou.
Mas será que mesmo tendo depois de ter as duas vou me formar?
O que é se formar?
agora, depois que "acabei" "tudo", vai saber o que é acabar e o que é tudo, mas enfim...
Agora é que me sinto aproveitando tantas coisas que desde o começo da faculdade estavam lá.
Os grupos de estudos, as supervisões, os cursos de extensão...
Apresentar a monografia, que seria um encerramento, deixou um gosto de "fale mais" e um vontade imensa de falar mais.
E eu, que nunca gostei dessas "coisas acadêmicas", fui pega por esse bichinho e já ando pensando no mestrado e coisa e tal.
Talvez essa sensação de estar aproveitando mais agora seja para eu ter uma desculpa para eu não ir embora, ou quem sabe, a UFF tenha me formado mesmo, essa nossa formação que nos torna inquietos, questionadores, pensadores, com vontade de estar sempre aprendendo, experimentando mais...
Se perguntar pra minha mãe ela vai dizer que eu já estou formada, já até colocou as fotos nos porta-retratos pra todo mundo ver.
Eu, enquanto isso, prefiro continuar acreditando que foi só um pedaço do percurso, que vou continar todo dia me formando um pouco mais pra no instante seguinte perder um pouco dessa forma e poder formar outra forma de mim mesma...
terça-feira, 3 de agosto de 2010
O Que Será (À Flor da Pele)

Chico Buarque
Voz: Jerônimo Menezes
Piano: Cadu Costa
CD Rearmonizações - Venda Proibida
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta os olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz implorar
O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita...
O que será que será,
Que dá dentro da gente que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente, que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso nem nunca terá
O que não tem cansaço nem nunca terá,
O que não tem limite...
O que será que me dá,
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os tremores me vêm agitar
E todos os suores me vêm encharcar
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz suplicar
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem governo nem nunca terá,
O que não tem juízo...
sábado, 31 de julho de 2010
Camila...por Ana Paula
Esse texto foi escrito por uma amiga que adoro...

Lembro do primeiro dia que a vi. Uma menina tímida, toda de branco, que sentou na fila da esquerda, encostada na parede, do Nosso Colégio. Assim, ali, ela mal sabia que acabara de se tornar mais uma eterna margarida. E eu, mal sabia que acabara de conhecer a amiga mais misteriosa e enigmática de todas. Nossa Suiça - ela é tão neutra que conhecê-la torna-se um desafio.
Fiel às suas convicções e firme em suas posições, às vezes ela me deixa irritada com sua dificuldade em mudar de idéia. Tá... Tudo bem... Nada que um de seus sorrisos - e que sorriso - não apague!! Reflexo de uma mulher decidida, forte e determinada a conquistar seus sonhos.
Há os que dizem que ela possui um coração de pedra. eu não compartilho. Seu coração é tão sensível quanto uma bonequinha de porcelana, e tão fechado quanto uma ostra. Puro truque, proteção. Quem consegue abrir achará uma grande recompensa: Uma Pérola brilhante e valiosa.
Outros dizem que ela tem uma alma de poeta. Também não concordo. Camila é uma Poesia. E das mais bonitas. Você lê uma, duas, três vezes... e após anos e anos lendo você não se cansa de achar novas interpretações.
Camila não chora com romances nem se comove facilmente. Mas atrás dos muros de seu castelo ela ainda aguarda seu príncipe encantado. Camila... é "simples" assim. Romântica... e contraditória. Não dá declarações de amor e nem sai distribuindo carinhos por aí. Não me faz falta, porque, de fato, não há falta alguma. Eles estão lá, explícitos nas entrelinhas... Já o meu amor não pede licença nem disfarces, é mal educado mesmo: TE AMO, AMIGA!!!!!

Lembro do primeiro dia que a vi. Uma menina tímida, toda de branco, que sentou na fila da esquerda, encostada na parede, do Nosso Colégio. Assim, ali, ela mal sabia que acabara de se tornar mais uma eterna margarida. E eu, mal sabia que acabara de conhecer a amiga mais misteriosa e enigmática de todas. Nossa Suiça - ela é tão neutra que conhecê-la torna-se um desafio.
Fiel às suas convicções e firme em suas posições, às vezes ela me deixa irritada com sua dificuldade em mudar de idéia. Tá... Tudo bem... Nada que um de seus sorrisos - e que sorriso - não apague!! Reflexo de uma mulher decidida, forte e determinada a conquistar seus sonhos.
Há os que dizem que ela possui um coração de pedra. eu não compartilho. Seu coração é tão sensível quanto uma bonequinha de porcelana, e tão fechado quanto uma ostra. Puro truque, proteção. Quem consegue abrir achará uma grande recompensa: Uma Pérola brilhante e valiosa.
Outros dizem que ela tem uma alma de poeta. Também não concordo. Camila é uma Poesia. E das mais bonitas. Você lê uma, duas, três vezes... e após anos e anos lendo você não se cansa de achar novas interpretações.
Camila não chora com romances nem se comove facilmente. Mas atrás dos muros de seu castelo ela ainda aguarda seu príncipe encantado. Camila... é "simples" assim. Romântica... e contraditória. Não dá declarações de amor e nem sai distribuindo carinhos por aí. Não me faz falta, porque, de fato, não há falta alguma. Eles estão lá, explícitos nas entrelinhas... Já o meu amor não pede licença nem disfarces, é mal educado mesmo: TE AMO, AMIGA!!!!!
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Saudades

Numa viagem de carro, uma viagem ao passado...
Sabe quando se é pequeno e as coisas ao redor parecem tão grandes e bonitas, mas aí se cresce e passamos a vê-las menores, ou do tamanho que são?
Numa viagem para visitar parentes, o encontro com lembranças da infância...
Tudo de certa forma é igual e estranho. Os móveis não mudaram muito, a cidade sofreu algumas mudanças, as pessoas envelheceram, mas tudo tem um jeito de despertar a memória. O passeio pelo mercado no domingo: tem que comprar chuvisco e polvilho! Já se andou por aquela rua, já se viu aquela praça.
E olhando as feições de alguém se reconhece traços de outra pessoa. Um olhar, um sorriso, o jeito de rir...
Não se sabia que um lugar podia carregar tanta lembrança de alguém que nem morou ali, que também só esteve ali de passagem. Mas estiveram ali juntos.
Sabia que dá para sentir saudade olhando um desconhecido na rua?
Basta um detalhe que se pareça com quem já não está.
Saudade do que apenas se sonhou viver...
Tem tanto jeito de sentir saudade!
Saudade que fica calada no peito fingindo que não existe só porque sabe que não dá pra passar.
Saudade que às vezes estoura do nada e fica difícil até respirar.
Saudade que acompanha todos os dias e que se mistura com o resto da vida, pois já ganhou o seu lugar.
Saudade que não se contenta enquanto não for resolvida, que grita, exige atenção, é suicida e pede pra alguém matá-la de uma vez.
Saudade faminta que implora por migalhas quaisquer que sejam: uma foto, uma voz, um perfume.
Saudade que não se contenta com pouco e que só se daria por satisfeita se conseguisse um abraço apertado, um colo aconchegante ou um cafuné.
Tem um monte de tipos de saudade, mas acho que só um jeito de fazê-la acabar. É a presença de quem se sente falta, é estar com quem por quem se espera.
Às vezes dá para fazer isso. Dá para pegar o telefone e dizer: “Oi, estou com saudade, vamos nos ver”. Nesses tempos de Internet, orkut e cia, dá para mandar um e-mail, um scrap, ou seja lá o que for, pedindo pela presença, marcando um encontro.
Mas às vezes nada disso é possível, não se pode ter aqueles por quem se anseia. Talvez a distância seja grande, talvez a vida seja outra, ou talvez a pessoa não esteja mais aqui.
São essas as saudades mais poderosas, mais insistentes e as que menos deixam possibilidade de resposta. Então se tornam companheiras, nos seguem pela vida. Vão tecendo nossas lembranças. Ganham um canto no peito. Não atrapalham a vida, depois de um tempo não doem, não fazem sofrer, mas estão sempre lá, pois são feitas de carinho, de amor, gratidão, felicidade, tudo que houve de bom.
São só saudade...
28/07/2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Às Meninas

Esses dias o passado bateu em minha porta
Chegou com a pose para uma foto
De novo fomos seis mais um
Enquanto caminhava até o altar a noiva levava consigo o futuro
Naqueles instantes que marcavam o presente
Ouvi então os ecos dos planos que encheram nosso passado
Já escrevi sobre o desejo de desfazer nossas brigas
Contei como nossos rumos se separaram
Quando a confiança se trincou
Os planos não saíram exatamente como almejávamos
Nossos caminhos por esses tempos se cruzaram e se afastaram
É possível ouvir o silêncio desses espaços
Foi preciso uma grande surpresa em forma tão pequenina
Com suas mãozinhas e sorrisos gostosos
Para nos chamar de volta
Foi preciso um evento tirado dos sonhos guardados nas gavetas
Um elo invisível nos mantendo juntas sem nem mesmo sabermos
Um fio nos ligando sem nos amarrar
Ela nos olhando enquanto atravessa a igreja ao encontro dele
A pista de dança transformada em ponto de encontro
O bebê dormindo no carrinho enquanto a mãe dança de salto
As coisas mudaram e jamais serão como antes
Não dá pra dizer o que Vem pela frente
Descobri que prefiro viver a imaginar
As meninas agora são mulheres
Mãe, esposas, solteiras
Estudando, se formando, trabalhando
A gente cresceu, virou gente grade
Algumas coisas mudam e outras nunca mudarão
Acho que vai ser sempre assim
Fazia tempo que não escrevia, talvez esteja enferrujada
Queria dizer que senti saudade de nós
Agora estou aqui sem saber como de terminar
Então de novo as lembras transbordam
Talvez não seja mesmo preciso terminar
Porque espero que essa não seja o fim.
02/02/09
As avessas

Sabe quando você vê que o mundo está de cabeça pra baixo?
Quando você se senta em uma rede, na varanda da casa de duas de suas amigas de infância, vendo o filho de uma terceira correr pela sala, tropeçando no tapete e dizendo suas primeiras palavras, enquanto o marido dela lancha por perto...
Não é só porque você achava que essa amiga nunca daria certo como mãe e esposa, nem porque a dupla que você imaginava morando junto não era bem essa ou porque você não esperava nunca estar ali assistindo a tudo isso.
Não é porque os planos não saíram exatamente como se queria, ou nem se realizaram. Nem porque um monte de surpresas e inesperados vive acontecendo.
Também não é porque tudo mudou, mas ainda assim, de um jeito inexplicável, algumas coisas continuam as mesmas.
Sabe quando você vê que o mundo está de cabeça pra baixo?
Ao pensar nessas coisas todas, você se sente imensamente feliz...
Nem tudo é da maneira desejada, tem um montão de coisas que precisam acontecer, mudar ou seja lá o que for...
Mas isso não importa!
É bom estar ali, naquela rede, não só assistindo a uma cena, mas participando...
É nessa hora que você percebe que o mundo está de cabeça pra baixo, e só pode pensar que não há jeito melhor pra ele estar!!!
5 de setembro de 2009
sábado, 24 de julho de 2010
A entrevista

A gente se forma e faz o que depois?
"Trabalha", é o que os outros dizem. Mas não é tão simples assim, tem outras coisas que se quer e tal. Pra tentar dar conta de tudo, resolvo que vou procurar um emprego que me permita continar fazendo outras coisas, assim tenho algum dinheiro e continuo com minha formação.
Me increvi então para vagar em telemarketing, nunca me imaginei fazendo isso, mas são só seis horas por dia e tal. No dia seguinte que me inscrevo sou chamada para uma entrevista. Fui, né? Vamos ver qual é.
Chego lá, já tem um monte de gente. Logo nos chamam e nos mandam entrar em uma sala. Umas sessenta pessoas tem que se entulhar praticamente dentro de uma sala um tanto pequena. Ok.
A mulher que está fazendo a entrevista, que trabalha na consultoria que organiza a seleção nem ao menos se preocupa em dar "Bom dia". Mal começamos a tentar caber na sala ela já está falando, ou melhor gritando, ordens. Ok.
Não tem lugar para todos sentarem, então acabo ficando de pé e bem na frente de todo mundo, ótimo!!!!
A mulher já vai olhando pra algumas pessoas e reconhecendo de outras entrevistas, diz que elas não podem participar. Com isso algumas pessoas vão embora e acaba sobrando uma cadeira pra mim, bem ao lado da entrevistadora.
Fico lá sentada, ouvindo e pensando: o que eu estou fazendo aqui? Fiz uma escolha, passei cinco anos na faculdade para me preparar para a profissão que escolhi e acabo numa entrevista pra algo que não tem nada a ver?
Velhas dúvidas aparecem. Será que vou conseguir trabalhar com psicologia? Ainda mais com a clínica? E o que eu aprendi na UFF, vai acabar se perdendo nesse mundo tão diferente dos nossos anos "uffianos"?
Sentada lá começo a prestar atenção na postura da entrevistadora, na situação toda da entrevista. Não entendo nada de RH, não foi algo que me interessasse durante minha formção, mas começo a questionar se é assim mesmo? É preciso falar com as pessoas como se elas fossem inferiores? É uma situação super estressante, será que não dá pra ter um pouco de educação, ou até gentileza? É assim mesmo, entulhar um monte de gente numa sala minúscula?
Que tipo de formação a entrevistadora tinha? Quais as exigências da empresa onde ela trabalha e da empresa pra quem eles fazem consultoria? Eles deram condições para uma entrevista diferente?
E as pessas que comparecem a essas entrevistas, já estão tão acostumadas com isso que não estranham mais? Dá pra questionar isso quando se precisa arrumar um emprego? Como será que elas se sentem sendo tratadas dessa maneira? Dispensadas de qualquer jeito porque não se encaixam nos padrões que nem ao menos ficam claros quais são?
Quando entrávamos na sala uma menina do meu lada começou a falar de como estava nervosa, da dificuldade dela de até respirar quando se sente assim. Não a conhecia, provavelmente nunca mais vou vê-la, mas tentei acolher seu nervosismo ao menos com um sorriso que demonstrasse que eu estava ouvindo.
Quando saí da entrevista fiquei pensando nisso tudo. Comecei a perceber que minha formação está mais presente do que eu imagino. A clínica está presente mais do que imagino. Fiquei feliz. Uma entrevista que não deu certo, acabou me mostrando que aprendi nesses anos todos, que mais do que uma profissão tenho referências para a vida e isso foi bom.
Então que venham outras entrevistas...
Postado por
Camila
às
sábado, julho 24, 2010
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